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A sonoridade de São Paulo

Foto do escritor: BARDI FAUDBARDI FAUD

_Ana Clara Trench

A cidade de São Paulo é vista e reconhecida de diversas formas, dentre suas características, realidades, personalidades e personagens. Nesse sentido, há uma construção de memória da cidade notada na extensa produção musical referente a capital, da qual se permite perceber as múltiplas experiências urbanas na São Paulo.

Desde “Êh São Paulo”, de Alvarenga e Rancinho, lançada em 1930, observamos o anúncio de um dos apelidos e das famas que São Paulo carrega, “terra da garoa”, como cantada pelos mineiros. Desde aqui, estabeleceu-se uma forma de estar e de se apropriar da cidade por meio da música, de onde emergem experiências urbanas intensas e emocionais, como rastros da memória afetiva de São Paulo. É na letra dessas canções que a realidade é retratada pela linguagem poética, revelando referências espaciais e temporais somadas ao sentido dado pela percepção e afeição, marcando, por esses cantantes, a sonoridade urbana.

Essa coleção musical criada ao longo das décadas apresenta as modificações pautadas pelas transformações da cidade e das novas vivências cotidianas, de onde originavam-se novas formas de habitar a cidade. Podemos ver, assim, as diferentes fases de sua história, a constituição de suas populações alternativas e da ampla cultura, que abrange muitas realidades.

Na linha que forma esta memória, Adoniran Barbosa nos presenteia com “Trem das onze” e “Samba do Arnesto”, clássicos que imortalizaram os bairros do Jaçanã e do Brás, junto a personalidade da vida paulistana nos anos 40, 50 e 60. Depois, o viver moderno, a urbanização acelerada e as transformações da cidade em uma metrópole urbana, são observadas nas músicas de Itamar Assunção, os Mutantes, Tom Zé e Premê.

As músicas também apontam a qualidade de vida (ou a ausência de), a correria, o individualismo e a arrogância dos paulistanos, cantadas pelos próprios. Como canta Rita Lee: “As ‘mina’ de Sampa querem grana, um cara bacana. De poder! Um jeito americanês de sobreviver”.

Também denunciam as injustiças da desigualdade social e do racismo, tal como nas músicas de Sabotage, Racionais MC’s e Criolo.

Sua produção é uma construção de memória possível para a cidade, portanto, seletiva na escolha dos territórios urbanos e de seus personagens, permitindo perceber as múltiplas experiências urbanas na São Paulo.

Aproximando ao urbanismo e às teorias da cidade viva, esse observar a cidade, concretizada nas composições, se aproxima do exercício de flaneur (o caso de “Saudosa Maloca”, por exemplo, de Demônios da Garoa), em que caminhar a pé, conversar, ouvir, se atentar aos diálogos, cenários, entonações e figuras são elementos chaves para a integra compreensão do que é esta cidade, afinal. Além de sua retratada malha urbana, é esta vivência depositada nas músicas que manifesta a vida urbana paulistana como ela de fato é.

Ouvindo Sampa no walkman, temos um novo cartão postal.


Sampa no Walkman – Bardi recomenda

Aqui vai, então, uma lista de músicas recomendadas para aqueles que sentem falta ou que anseiam vagar sem rumo as ruas de São Paulo, ouvindo o batuque de seu pulso urbano (com links):


Êh São Paulo - Alvarenga e Ranchinho (1930)


Trêm das onze – Adoniran Barbosa (1964)


Samba do Arnesto - Adoniran Barbosa (1964)


Sampa Midnight – Itamar Assumpção (1983)


As Minas de Sampa - Rita Lee (2003)


Rua Augusta - Os Mutantes (1972)


Punk da Periferia – Gilberto Gil (1983)


Pânico em SP - Inocentes (1986)


Pobre Paulista - Ira! (1986)


Não existe amor em SP – Criolo (2011)


Freguês da Meia-Noite – Criolo (2011)


Fim de semana no parque – Racionais MC’s (1993)


Na zona sul – Sabotage (2000)


São, São Paulo - Tom Zé (1968)


Augusta, Angélica e Consolação - Tom Zé (1973)


Amanhecendo - Billy Blanco (1974)


São Paulo, São Paulo – Premê (1983)


Sampa – Caetano Veloso (1978)

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