top of page

Do Cerrado, do Deserto e da Floresta à metrópole: Porque os países mudam suas capitais?

_André Marques


ree

“Art 3º - Fica pertencendo à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabeIecer-se a futura Capital federal.”


O trecho acima foi retirado da Constituição Federal de 1891, que previa em lei a criação de uma nova capital, localizada no interior do território brasileiro. Exatamente onde hoje se encontra realizado esse desejo, está Brasília e as cidades satélites, que juntas formam o Distrito Federal. Mas o Brasil não é o único país que decidiu alterar sua capital, nem o único que resolveu construí-la do zero. Estados Unidos, Nigéria, Paquistão e, mais recentemente, Indonésia e Egito são alguns exemplos de países que mudaram suas capitais (no caso de Indonésia e Egito esse processo ainda está acontecendo). Mas afinal, o que faz um país querer alterar o lugar onde está localizada sua capital?


Essa resposta não é simples, nem única, podendo variar muito dependendo para quem se pergunta. Mas os motivos mais comuns para essa mudança são que os países esperam algum tipo de benefício com isso, seja ele econômico, social ou político.


O caso do Brasil, Brasília


ree

Tomando como exemplo Brasília, veremos que esses três motivos se aplicam muito bem em diferentes tempos. Em primeiro lugar o político, como visto no início do texto, o desejo por uma mudança da capital brasileira vem desde 1891 e naquela época, a principal justificativa para isso era o medo de que o Brasil sofresse algum ataque pelo mar, já que a capital era o Rio de Janeiro. Com o tempo, veio o motivo social, com o interesse pela interiorização do país e o econômico, com o plano desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek.


Mas além disso, outras motivações podem surgir, como a de reorganizar urbanisticamente e desinchar a atual capital, pois as capitais nacionais costumam ser extremamente populosas. Como é o caso do Egito, a conurbação entre a capital Cairo e as cidades vizinhas e a população de quase 20 milhões de habitantes (podendo chegar a 40 milhões em 2050) são as principais razões dadas pelo governo para a construção da nova capital.


O caso do Egito, Nova Capital administrativa (NAC)

ree

Lembrando Brasília em diversos aspectos, a nova capital do Egito, que ainda não possui um nome oficial e por enquanto é chamada apenas de “Nova Capital Administrativa” (NAC, em inglês), é dividida em em setores residenciais, comerciais, centro (downtown) e governamental. Está prevista para possuir um parque duas vezes maior que o Central Park, em Nova York, e pretende chegar aos 6,5 milhões de habitantes até 2050. A construção da cidade ficou a cargo da empresa pública Nova Capital Administrativa para o Desenvolvimento Urbano (ACUD, na sigla original), cujo Ministério da Defesa possui 51% e o Ministério da Habitação possui 49%.


Porém, em todos os casos, a proposta de mudança de uma capital nacional é cara e ambiciosa, e gera questionamentos de diversos setores da sociedade. Alguns enxergam com otimismo a construção da nova capital, outros acreditam que a ideia poderia ser interessante, mas em outro local. Existem outros ainda que acreditam que o alto custo na construção da nova capital poderia ser muito melhor aproveitado se usado para gerar desenvolvimento econômico em outras regiões do país.


O caso da Indonésia, Nusantara


ree

Possuindo similaridades tanto com o caso do Brasil quanto com o caso do Egito e projetada no meio de uma floresta numa parte próxima ao centro geográfico do país, o movimento de mudança da capital da Indonésia se dá, entre diversos fatores, para que a nova capital possa ser um elemento simbólico centralizador do governo nacional, além de desafogar a atual capital Jacarta, que está extremamente populosa, densamente ocupada, e que possui problemas de poluição e de tráfego.


Assim como no Brasil, a ideia de mudar a capital existe desde a independência da Indonésia, e acabou sendo proposta pelo presidente Joko Widodo após ganhar seu segundo mandato. Apesar de ser um projeto ambicioso do governo, a nova capital recebe críticas por uma série de motivos, dentre eles pode-se destacar o sentimento de abandono da atual capital por parte da população local. A preocupação ambiental, já que o local escolhido fica muito próximo de um hotspot de biodiversidade indonésio, além de demandar uma grande quantidade de desmatamento no processo.


Como dito anteriormente, listar todos os motivos do porquê países trocam suas capitais geraria um processo longo e uma extensa lista, porém praticamente todos os motivos podem ser resumidos em motivos políticos, econômicos e sociais. Fica claro também que é um processo longo, caro e que como não é unânime, esses projetos recebem muitas críticas de vários setores da sociedade.


Por causa disso, na maioria das vezes, os países associam um discurso desenvolvimentista ao projeto de construção da nova capital, vinculando o processo à geração de empregos, renda, qualidade urbana e fomento à imagem externa do país. Porém, deveria se ter uma preocupação importante em evitar um possível abandono que possa vir a acontecer com a antiga capital e a garantir a participação e usufruto de todos os setores da população.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Logo_Bardi_.jpg

Obrigado pelo envio!

_inscreva-se para ser notificado das publicações

bottom of page