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Visibilidade da comunidade LGBTQIA+ nos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020

Foto do escritor: BARDI FAUDBARDI FAUD

_Luísa Destefani


Desde sua criação, há mais de 2.700 a.C., os Jogos Olímpicos assumiram um grande papel na vida dos gregos. Durante a Era Moderna, quando foram celebrados os primeiros eventos, se pretendia realizar apenas uma reunião de alguns indivíduos que praticavam determinados esportes como atividade de tempo livre. Contudo, ao longo dos anos, a competição se transformou em um dos principais eventos culturais do mundo, ultrapassando os limites do esporte.


Os Jogos Olímpicos passaram a ser palco de diversas manifestações políticas e sociais ao longo do século XX. Durante as Olimpíadas de Berlim em 1936, Adolf Hitler se recusou a reconhecer as vitórias do atleta negro estadunidense Jesse Owens, por exemplo.


Quando Tóquio foi sede Olímpica no ano de 1964, ser gay representava um grande tabu no país. Em contraste das Olimpíadas de 2020 que ocorreram na mesma capital e que mostraram uma grande diversidade sexual e de gênero, entrando para a história como a edição mais diversa. Esta edição já é mais diversa do que as últimas duas juntas: 2012, em Londres, e 2016, no Rio de Janeiro).


Pelo menos 180 atletas que participaram do evento se reconhecem como LGBTQIA+. Durante a cerimônia de abertura, a polonesa Aleksandra Jarmolinska desfilou com uma máscara de arco-íris representando a comunidade, enquanto a estadunidense Raven Saunders comemorou sua medalha de prata no arremesso de peso, formando um “X” com os braços no pódio, em sinal de apoio aos oprimidos.


Além destas, outros atletas ressaltaram a importância de estarem disputando uma Olimpíada: Alan Alves, que faz parte do time de rugby brasileiro, que promove a diversidade e a inclusão de pessoas LGBTQIA+ no esporte, destaca o quanto o ambiente esportivo ainda é hostil com essa população. “Existem muitas barreiras porque ainda é um espaço muito homofóbico e transfóbico. A exclusão é sistemática: as nossas vivências nos excluem desse espaço e os estereótipos nos quais a comunidade LGBT não se encaixa tornam os ambientes desconfortáveis e inacessíveis”, aponta. Essa também foi a primeira edição dos jogos que contou com a presença de uma atleta transgênero, Lauren Hubbard, da Nova Zelândia.


Em contrapartida, a edição de 1964 (também em Tóquio), teve como espectador o japonês Itsuo Masuda (hoje com 73 anos) que sofria de depressão e tinha ideias suicidas por não entender ou aceitar a sua própria sexualidade.


Os Jogos Olímpicos despertam grande comoção e união da população, é incrível enxergar pessoas que discriminam a comunidade LGBTQIA+ torcendo por ela. Acredito que faz parte do processo de desconstrução de ideais. No entanto, assistir a atletas abertamente LGBT disputando Jogos Olímpicos, ainda é algo ‘extraordinário’. Houve uma visibilidade significativa da comunidade durante o decorrer da competição. “A força do esporte, a visibilidade dos Jogos Olímpicos e das vitórias (em Tóquio) ajudarão a relançar um debate nacional necessário sobre minorias, mulheres, gays, negros no Brasil”, disse a socióloga Márcia Couto, da Universidade de São Paulo.


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